do caraças

Há lá coisa melhor.

Se eu pudesse era isto que mandava embrulhar para o natal.
Estes beijos desajeitados e lambidos. Muitas vezes contrariados e a pedido. Os melhores.
E juntava os abraços dos braços ainda curtos, apertados, encantados e papudos. E se pudesse ser gulosa, juntava-lhe aquele “Adoro-te mãe” ou “adoro-te Pai” que é tão deliciosamente piroso escrito como é de um sentido fabuloso. Que exagerem e repitam, que soletrem e que gritem. E quanto mais adjectivado melhor.
E passava nisto a consoada, consolada entre abraços apertados, beijos pegajosos e elogios amorosos.
E só me levantava para encher a taça, trincar um queijinho e comer um sonho bom.
E voltava até ao cantar do galo para esse presente quentinho.
Adoro-te pai. Adoro-te mãe.
Em loop.

Shooting Revista Cristina
Styling. Dora Rogério
Make up: Inês Franco

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“És a minha praia”

Não foi à toa que me apaixonei.
Não é só por saudade que quero voltar.
Nem me interessa que o Mundo se diga tão grande, porque o que nos marca sempre, são os lugares que sabendo da nossa pequenez, nos fazem enormes.
São as terras e as pessoas que nos amplificam.
Esses devem ser os nossos lugares no mundo.
Se tivermos muita sorte: Morada.















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A MINHA ALFAMA EM ÁFRICA

Recebo quase todos os dias pedidos de informação de São Tomé, como se eu fosse uma espécie de consulado.
Não me incomoda. E dentro do meu tempo curto, tento responder ou encaminhar os pedidos.
Estive lá este ano com as minhas loiras, numa viagem para lá de inesquecível. Um somatório de coisas boas: a revisitação dos meus lugares, das minhas pessoas, a oportunidade de as fazer regressar com outra idade, a um destino que não tendo um carácter pedagógico, tem tudo para ensaboar a alma.
Hei-de regressar todos os anos, se Deus quiser. Digo sempre isto, para reforçar a vontade que tenho que se concretize. São Tomé é a minha Alfama em África. A terra agarrou-me mesmo, e sinto saudades sinceras, como se de uma forma estranha, tivesse vivido lá uma infância feliz.
Partilho aqui, com vocês algumas fotografias que tirei da segunda vez que lá fui. Fotografias que ainda não tinha partilhado e que fico a lamber no ecrã como uma goma visual:) Que sítio do caraças. Que saudade sã!

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AS MINHAS FAMÍLIAS

Tenho tanto trabalho para partilhar. Tantas famílias giras, no sentido mais prático do termo, com quem me ri a fotografar.Tanta fotografia tirada no meio de um diálogo, como se fossemos todos velhos amigos. E quero muito partilhar aqui, algumas das pessoas fabulosas que tenho conhecido e que têm recheado os meus dias de trabalho, com notas potentes de simpatia. Já repeti 1000 vezes que adoro o que faço. Mas vou tornar-me irremediavelmente repetitiva na expressão. E é muito curioso que ainda hoje tenho pessoas que me perguntam se fotografo famílias. Fotografo a minha e a dos outros. E aqui está um trabalho que não vou deixar de fazer, só quando as articulações do riso não doerem tanto de bom, como as dos metacarpos e carpos das minhas mãos.
Um beijinho especial à minha Margarete. A estrelinha brilhante de Alcochete nesta sessão.

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Histórias de Vida. O meu festival.

Histórias tão verdadeiras que nem vais acreditar.

É um dos meus festivais preferidos. Estou lá batida todos os anos desde a primeira edição. É um festival de storytelling. E o que é lá se passa? Contam-se histórias de vida. Histórias verídicas, narradas na primeira pessoa, sem filtros ou condição. É no cinema São Jorge que é um sítio muito chato, porque tem aquela varanda magnifica, porque está na boca do metro, porque tem Lisboa aos pés e dá para ir ao Pinóquio comer um pica pau. E porque não há melhor alimento para a alma que uma mão cheia de histórias.
Mas há mais, sempre quis dizer isto:

Sou uma das embaixadoras do evento e tenho 3 bilhetes duplos para oferecer à melhor história verídica. Uma história curta, ilustrada por uma fotografia, como eu costumo fazer.
Têm até 4ªfeira dia 21 para me enviarem a história para o meu email:
isabel@isabelsaldanha.com

E como não há pica pau grátis têm que fazer like nestas duas páginas do evento, que até são daquelas simpáticas de acompanhar:
https://www.instagram.com/grantsportugal/
https://www.facebook.com/grantsportugal
(Print screen para comprovar e já está!)

E agora a minha história verídica, escrita hoje no calor tórrido do meu T2 com uma ventoinha nos pés:

A CONCEPÇÃO

Nunca me contaram como é que fui concebida.
Sei que não fui consequência nobre de uma lua de mel nas Maldivas, fruto do amasso na areia quente da noite, no tombo silencioso de uma pina colada. Sei o, porque o meu pai era homem casado e a condição ilegal pressupõe uma certa pressa.
Sei que a minha mãe era uma mulher ingénua e apaixonada e que a combinação mortífera das duas substâncias, dita uma entrega do caraças. Especulo assim, que terei nascido de uma combustão rápida, fruto de uma adrenalina indisciplinada, uma união não legitimada, mas uma noite das boas. Gosto disso.
Se pudesse escolher preferia ter sido um excesso de bebedeira que um sexo de consolação. E ainda que não acredite, que isso tenha alguma interferência no forjar do carácter, o universo não se vai chatear que legitime algumas das minhas arestas no prenúncio menos nobre da minha concepção.
Custar-me ia mais, saber-me gerada na complacência de um encosto desajeitado ou de um “já que aqui estás”.
Nunca tinha pensado nestas coisas, até que o atrevimento da vida me colocou sobre circunstâncias que não suspeitava viver. Até porque não suspeitava de nada.
Quando era pequenina, era apenas mais uma menina romântica.
Um plug-in que vem na pré instalação do sexo feminino, e que em mim, acusava altos níveis.
Se na altura pudesse e me deixassem, tinha coberto o mundo a trincha cor de rosa. Sonhava abrir as portas e ir para a escola montada num unicórnio brilhante, com uma saia de tule e um rastro de estrelas (que saia da cauda dourada e que ía traçando caminho, descrevendo formas florais cheios de purpurina e brilho.) Nunca pensei que os meus pais, fossem menos que um casal casado, legitimado pela sociedade ou pela igreja, casados em nobres fatos, com saiotes compridos, flor na lapela e um veu esvoaçante. E comecei à procura das molduras e dos álbuns do casamento. Como não estava a encontrar nada, e não queria confrontar os meus progenitores com a ousadia da minha curiosidade pensei como qualquer “toxico-romântica” pensa: “Eles esconderam as fotos” porque viveram com tanta intensidade o que sentiam que qualquer registo por mais belo que seja, seria pequeno para tudo o que foi”
Acho que foi nesta altura, que senti o primeiro confronto entre a estratosfera romântica e o hiper-realismo da vida. Os meus pais tinham ido jantar fora, aproveitei o momento e fui até ao quarto deles vasculhar as gavetas da cabeceira. Fui surpreendida pela minha irmã mais velha, quando já tinha mergulhado metade da cara na confusão da gaveta. Perguntou-me o que é que eu estava a fazer. Disse-lhe que estava à procura das fotografias do casamento da mãe e do pai. Ela avançou para mim. Empurrou-me para o lado, mergulhou a mão na gaveta e sacou, aquilo que mais tarde percebi ser, o B:I. da minha mãe. Abraçou-me pelo pescoço e apontou para o estado civil: Dizia SOL. Achei bonito. Tinha 8 anos não percebia. Olhei-a fixamente e ela disse-me com muita convicção: – A mãe e o pai nunca casaram. Também descobri há uns meses.
Comecei a chorar, como se naquelas frases curtas se encurtasse a minha ilusão. As nossas irmãs mais novas dormiam. A babysitter via televisão na sala e a minha irmã mais velha, achou que estava na hora de as acordar, no sentido literal e metafísico, para lhes dizer a verdade.
Antes que também elas, empreendessem a viagem ao confim das gavetas e da ilusão. E ainda que elas chorassem só do sobressalto do sono, porque eram ainda mais novas que eu, mais cheias de unicórnios e doces ilusões, e ainda que os nossos Pais nunca tivessem casado, hoje sei, que quando fui ao fundo da gaveta, não foi a ilusão que perdi, nem o fim da inocência. Nem foi nesse dia que abandonei a criança. O mais interessante naquela noite, o mais doce, foi aquele abraço esclarecido da minha irmã Margarida, aquele esclarecimento tão sublimar, quanto sublime, que a descoberta da verdade das coisas também põe a nu o melhor de nós.

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A amizade boa nunca envelhece

É do baú. É dos santos. Tem anos. Não se contam. É amizade boa. Não envelhece. Permanece e prevalece, como aqueles amores intocáveis, como uma partitura mil vezes tocada. A boa amizade é assim, só tem de regra o permanecer. Não há incómodo no silêncio, não há vergonha em lágrima. É um vale tudo verdadeiro, derradeiro e puro. Não é canto escuro, mesmo no lado obscuro de quem não esconde nada. A amizade não procura paridade, igualdade ou semelhança, é só afecto puro, sentimento duro, verdade sem agonia ou vaidade. Não interessa idade, não tem que ser antiga, é apenas como uma cantiga, daquelas que não sai. Amizade também é espontânea, não é só a paixão que é momentânea. Nem sempre tem enredo, nem esconde segredo. Amizade é tão simples quanto completa, quase complexa, porque é densa, mas não adensa o que não condensa e nos dá paz. Amizade boa nunca envelhece, como o amor vivo, permanece. E acontece. Basta querer. Amar sem saber e deixar acontecer.

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MINT. Se não falar a verdade.

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Há coisas que nascem tortas e nem tarde, nem nunca, se endireitam. Outras há, que apesar de nascerem tortas, assim deverão permanecer. Porque há muita harmonia na idiossincrasia das coisas. Há muita liberdade na árvore que se curva com a idade, como se fosse uma vénia perfeita às coisas já vividas. E depois há outras mais banais, uns defeitos ajustáveis, umas irrelevâncias físicas. Mas já recupero o tema.
A Sofia era minha seguidora, quis o destino bom que nos cruzássemos à chegada de São Tomé, no Badoca Park quando matava lentamente a saudade grande das minhas loiras. A Sofia percebeu a minha “drive” e não me interrompeu. Reparamos uma na outra, estávamos na mesma carruagem, ambas a dar colo bom aos nossos filhos. No dia seguinte recebi uma mensagem da Sofia. Fui espreitar o perfil. Acho que fazemos todos o mesmo. Descobri uma mãe de prancha na mão. Um sorriso largo, dois filhos e um amor cheio de orgulho pelo marido, o Dr. Eduardo que viria a conhecer mais tarde. A sofia queria fazer uma parceria com a clinica. Fui espreitar, pareceu-me uma casa acolhedora, bem decorada. Quando os médicos são bonitos, os móveis são bonitos a malta começa a pensar quando é que a coisa fica feia:)…mas já percebi que nunca vai ficar.
Gostei do diálogo honesto, gostei da Sofia, gostei da abordagem e fui. Mal eu sabia, que duas semanas depois, ía sair de lá de aparelho, incapaz de morder uma costeleta de cabrito, limitada a enrolar o presunto em pedaços minúsculos para ultrapassar a barreira física e dar ao palato o mimo que ele merece. A proposta era honesta e simples, o Dr. Eduardo encarregar-se-ía do sorriso das filhas da mãe e aqui a cicerone, comunicaria ao seu público a experiência. Disse que sim. Não apenas porque “cavalo dado não se olha a dente” (esta expressão encaixa tão bem aqui) mas porque gostei genuinamente da Sofia e do Eduardo.
Se me perguntam se precisava de aparelho, sim, precisei quando tinha 12 anos e a minha mãe não tinha dinheiro para me dar um. Se estava descontente com o meu sorriso: Nem por isso;) habituei-me à cena torta como se fosse uma coisa já direita. Mas nós sabemos que estas intervenções são caras e que queremos entregar o nosso sorriso nas melhores mãos. Pus agora o aparelho superior e daqui uma semanas vou colocar o inferior. Não é confortável nestes primeiros dias, mas se formos a ver, quase nenhuma mudança é. O que é que eu me comprometo? A cumprir com a rotina de ir lá apertar o aparelho e a ser totalmente honesta, como sempre fui, a contar-vos esta experiência. Por agora o mais que posso dizer é que me sinto em casa quando vou à clínica. E não consigo mentir com todos os dentes que tenho porque sinto a boca muito bem apertada:)

Para quem quiser ir conhecer o Eduardo e a Sofia, seres humanos altamente recomendáveis e profissionais de mão cheia. Mais “chatos” que a minha mãe porque me ligam todos os dias a saber como vai a adaptação. E mimo não tem preço

CLINICA MINT
Dr. Eduardo Bastos
http://mint.pt/clinica-dentaria/
https://www.facebook.com/clinicadentariamint
Contacto:
Avenida Marquês de Tomar 5 | Lisboa
21 155 23 08

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Só nosso. Só vosso.

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Tenho andado de namoro com a vida. Sem tempo para partilhar convosco as sessões que vou fazendo, as pessoas que também vou conhecendo.
É engraçado que há medida que vou entrando com força no que faço, percebo cada vez mais o sentido de tudo isto. É um privilégio poder registrar estes momentos, estes que darão suporte a tantos outros momentos. A memória às vezes foge-nos, prega-nos partidas. Mas aqui neste momento fica eternizado a plenitude de uma sensação. E há em todos estes cliques uma verdade tão grande, que se não fosse isto que faço, era isto que quereria fazer. Parabéns Vanessa e Daniel a vossa história é uma história cheia. A vossa vida enriquece a cada segundo e foi um prazer enorme estar presente nesse pequeno registo de eternidade.

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GANGA NISSO

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Sabia nesse preciso momento em que estávamos a fotografar, o “buzz” que seria, o apontamento de lingerie e um pedaço de corpo descoberto.
Sobretudo o teu:)
Não sou tua advogada, sou tua amiga, mas hoje, nem como amiga falo, escrevo apenas como mulher. Porque assisto a isto, vezes sem conta, de forma tão subliminar e tão escancarada.
O pudor é da contabilidade de cada um, tal como a propriedade do corpo. Faço milhares de sessões por ano, muitas delas “boudoir” (sessões de lingerie em estúdio) que não divulgo aqui, porque não é aqui a esfera onde vivem, é na recordação de auto estima que algumas clientes minhas, resolvem oferecer a elas mesmas, às vezes fruto de paixão a outro, outros fruto de um gigante amor próprio. Gosto desses momentos, quando nos vejo a vencer o medo, quando o “que se lixe” fala mais alto “do que é que os outros vão pensar de mim”.
Não há rebeldia nenhuma no exercício do amor próprio, há uma imensa serenidade que nos pacifica com a mente, com o corpo e com o momento.
E fico feliz à séria, quando é através da minha lente que deixo registado esse encontro, tão livre de espartilhos, que vai ganhando cada vez mais terreno no coração das mulheres.

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