cenas do coração

Gostei dele como gostei de pouca gente.

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Não gosto de ser repetitiva, mas a verdade é que não tive grande sorte na família que me calhou. Pelo menos, na que não dependeu directamente de mim para a sua constituição. E se calhar (repetindo o verbo) não há forma bonita de se dizer isto: Mas com excepção de alguns parentes, quase tudo não rezará na história, pelo menos, não na minha. Mas há um homem que me marcou profundamente, que lançou as raízes da sua alma dentro da minha e que fez toda a diferença na construção positiva da pessoa que hoje sou: O meu avô.
Gostei dele como gostei de pouca gente. No meio do caos, ele ensinou-me a estruturar as dúvidas, a orgulhar-me das incertezas, a não ter medo de chorar e a fazer cerimónia com a tristeza. Ensinou-me a hierarquizar as dores e a arruma-las sem medo de as tratar por tu. O meu avô era uma pessoa simples, sem a graça das frases feitas, que não fossem feitas apenas por si. O que ele me ensinou, sem me querer ensinar, revela-se em todas as madrugadas do meu dia e em todas as noites que parecem não acabar. Quando a Inês me desafiou para esta sessão, não podia ter ficado mais feliz. Uma neta e uma avó, só pode ser uma narrativa feliz. A sessão aconteceu em Campo de Ourique, no bairro onde a avó trabalhou e viveu grande parte da sua vida. Percorremos a pé as ruas, desde a Igreja do Santo Condestável até ao Jardim da parada. Detivemos-nos nos cruzamentos para abraços e histórias. A Inês pedia a avó que não chorasse a recordar, mas a avó já não tem vergonha das lágrimas que escorrem quando o coração sente. A Inês reconhece na sua avó um pilar, uma mulher de força, uma referência. E como é uma miúda cheia de inteligência e coração, sabe que as pessoas boas da nossa vida se gozam em presença, para fazer durar ainda mais, na nossa memória. A Inês não é daquelas netas que só vê os avós em noites de consoada e dias de celebração. A Inês procura diariamente a avó, e não é apenas no consolo da voz num telefonema distante, é na mãos sobre as suas mãos. Enquanto fotografávamos a Inês revivia as histórias da avó, como quem sabe uma música de cor. A minha assistente estava tão comovida que se virava para limpar as lágrimas. Foi talvez das sessões mais ternurentas que fotografei, e se não tirei 1000 fotografias, foi porque gastei mais de 1000 segundos, para sorver em palavras boas, o que só as imagens mais felizes conseguem traduzir.

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Dizem que três é a conta que Deus fez. Eu fiz por baixo e já acho uma equação difícil nos dias em que me falta inspiração.
Mas a Ana parece fluir entre o colectivo ímpar das filhas. Entre o olhar de repreensão à asneira e a ternura profunda no sorriso atrevido das miúdas, há uma mãe e três filhas com um amor honesto e gigante.
Não te conhecia Ana, nem às miúdas. E achei-vos muito sãs e muito verdadeiras. Uma família desembaraçada com a cumplicidade certa entre a liberdade, a ordem, a desordem e o amor. Foi uma sessão fotográfica, mas nem isso pareceu, as fotografias recordam-em uma manhã passada na praia a brincar com amigas e pequeninas e a tomar café com uma amiga grande. E é assim que vos vou recordar.

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Uma Grávida como eu:)

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Quando estava grávida, quer da Caetana, quer da Camila, passava a vida a ouvir vozes alheias a dizer o quanto era irrequieta. Que isso fazia mal às miúdas, que ia vezes demais ao ginásio, que corria sem pensar no peso da barriga, que trabalhava fora de ritmo, que dormia pouco, comia mal e tantas outras coisas, que só as grávidas ouvem, quando já não querem ouvir mais nada. Felizmente, escolhi um médico descomplicado e competente, que acredita que o corpo dá o sinal dos seus limites e que me deixava tranquila a ser, só o que eu era. Não me condicionei em nenhuma das gravidezes, primeiro porque, graças a Deus, não tive que o fazer, segundo, porque me sentia tão bem e tão feliz, que tinha uma espécie de energia redobrada, potenciada pela miúda dentro de mim.
A Mariana ( a grávida desta sessão) fez me lembrar de mim, não parava quieta, não se condicionava, falava como se não houvesse amanhã e transpirava energia por todos os poros da pele. O marido ria-se, quem ama sabe, quem ama conhece e quem ama não mexe.
Tenho a certeza que o vosso filho também vai ser resultado da forma como souberam viver este tempo.
Venha dai um príncipe com o mesmo desembaraço dessa mãe rainha.

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“Assim para o simples”

Ontem esteve muito calor. Depois de ir buscar as loiras ao ATL da escola, cheguei a casa e tomei um banho. Pus um vestidinho curtinho de flores e ouvi logo um “UAU” das miúdas, como se tivesse colocado um vestido à Globos de Ouro. Ri-me da expressão delas e perguntei porque é que estavam tão surpreendidas, a Caetana disse-me com jeitinho cerimonioso que eu andava sempre “assim para o simples” e que era raro colocar um vestido. A verdade é que por questões práticas visto-me sempre de forma cómoda, sendo o epitáfio da estética o meu conforto. Sou fotógrafa e são raras as vezes (graças a Deus), que a profissão obriga a um kit mais elaborado. Gosto deste tipo de looks, com calças ainda mais largas e sapatos confortáveis. Quem me conhece sabe que uso uma espécie de uniforme de meia-estação que inclui sempre umas leggings, uns ténis e uns casacos de estilo militar, com um boné e um casaco de capuz. Quando tenho um jantar vasculho no armário uma coordenado mais “uau”, mas pela força do hábito, acabo sempre por me vestir no mesmo alinhamento, com a diferença que carrego ligeiramente na maquilhagem. Às vezes fico a olhar-me no espelho com uma saia rodada ou um vestidinho mas sinto-me fora de mim. Como se aquela imagem não fosse inteiramente eu. Já percebi pelo espanto de ontem que vou tentar caprichar no visual para as miúdas cá de casa não ficarem a pensar que por cada vestido há uma passadeira vermelha.

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E já vamos na Quinta.

Já vamos na 5ª sessão fotográfica. Já vos fotografei recém casados no Guincho, de barrigão em Alfama, com a Clarinha pelos mesmos becos e ruelas, já fomos ao rio e a última foi na praia. Temos um reportório de mão cheia e um futuro para eternizar à nossa frente. Tenho alguns clientes/amigos que acompanho todos os anos, em vários momentos. Tornam-se clientes especiais porque se tornam amigos. E a empatia entorna-se na fotografia como uma segunda luz.

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MINI chef´s

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No ano passado estive no atelier do criador Filipe Faísca a fotografar um momento promovido pela Fundação Osório de Castro
com as crianças do IPO. Um dia passado a pôr no papel sonhos, que seriam posteriormente impressos em tecidos, para depois serem vestidos num desfile fabuloso da Moda Lisboa com a presença das crianças, das famílias e do criador. Mais do que ter sonhos, que todos temos, a melhor lanterna para a Esperança da vida é vê-los realizados. Repito, que não imagino o que seja ter um filho, um sobrinho, um amigo ou um familiar nestas circunstâncias. Estas crianças não têm um ar triste mas entristece-nos saber que a vida lhes pregou uma partida que lhes pode encurtar os sonhos. Também sei que não é um momento que muda, mas também sei que a vida é um somatório de momentos que nos mudam. E por isso, acho muito meritório quando se promovem estes encontros, estes momentos, esta partilha de saberes, que possibilita que muitos adultos cresçam com crianças que por força da vida já têm uma alma com séculos.
O último encontro foi com o Chefe Miguel Vieira do Master Chef. As crianças tornaram-se pequenos cozinheiros e criaram em conjunto uma ementa que servirão na Fortaleza do Guincho num jantar de angariação de fundos. E eu? Eu fui lá fotografar o momento, que irá ser colado a outros tantos momentos e quem sabe…ajudar a criar sonhos. Afinal de contas tudo pode acontecer num momento, até um sonho refogado noutros sonhos. Obrigado à Fundação Osório de Castro pelo convite. Espero que o meu olhar discreto consiga transmitir tudo o que de bom se cozinhou naquele momento.

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Tenho saudades

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Do andar de baixo numa avenida nova, chega-me um cheiro. Detenho-me, pauso-me nas escadas, encosto-me à porta. Há um conforto neste odor, como a almofada amassada do dia em que partiste. Como aquela camisa que amachuca no chão a saudade. É cheiro de mar na grelha, de gordura salgada sobre o carvão, é cheiro de Alfama. É cheiro a Santos. Está me na alma, entranhou-se me na memória, acorda-me os sentidos, puxa-me, recupera-me, exalta-me. Habito numa avenida nova com um cheiro que é velho para mim. Sento-me no patamar das escadas, indiferente a quem passa, acordada apenas pelo sentido do olfacto. E deixo-me transportar como uma quadra que se enterra com força no jarro de um manjerico. Tenho saudades dessa morada onde me achei. E tenho ternura por essa memória que se colhe num cheiro, como o ramo tosco que a criança dá à mãe. Estou aqui sentada. Mas é lá que o cheiro faz sentido.
Tenho saudades tuas Alfama. E não me tenho feito convidada desse olfacto, nem parte desse colectivo de narizes que te inala nesta quadra. Talvez me proteja um pouco da saudade, como um fado morno que se escuta atrás da porta.
Vou deixar passar a festa grande e o corrupio. E quando o cheiro ficar mais perdido, sei de coração, que te vou encontrar, nesse mesmo patamar de saudade onde hoje me sento.

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NÃO, NÃO ANDO A FAZER M*A.

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Hoje publiquei uma frase na cronologia do Pedro a dizer: “Saudades tuas”.
Recebi dois telefonemas: Uma amiga que perguntava se o Pedro estava fora e outra, que com ironia sarcástica (que só a a amizade longínqua permite) comentava: – Deves andar a fazer m*a para tanta declaração de amor.
Ri-me. Não. Respondi. Ando a “fazer bonito”. Estou crescida, rematei.
Sei que nunca fui pessoa de grandes declarações públicas de amor, com excepção honrosa ao sangue do meu sangue, nas pequeninas pessoas das minhas filhas. Mas o tempo passa, sabes. Vamo-nos tornando mais senhoras da nossa vida, proprietárias orgulhosas das nossas conquistas, soberanas no que sentimos, orgulhosas por dar, vaidosas de puder estender a partilha aos que gostamos. Ao principio, revia com desconfiança as frases, tudo parecia excessivo, meloso, até falso. Mas ao primeiro “Enter”, é como o lacre numa carta ida. Sabe tão bem, que chega a virar vício. Não me interessa quem diz que não ha pachorra para isso. O que já não tenho mais mesmo é pachorra para viver por menos. Não sei o dia de amanhã, nem me angustia que as palavras lançadas hoje possam perder sentido nas coisas que lho retiram. Hoje amo, hoje gosto, hoje sou e hoje sinto. E sem qualquer eminência que o passar do tempo condene o que o hoje dita, lanço-me sem filtros ao amanhã.
Não, não ando a fazer m*a. Repito.
A mesma com quem já feri, quem um dia esteve uns passos largos de confiança à minha frente.
E não me venham com histórias. Nada é mais falso que acreditar que a verdadeira juventude da vida esteja na rebeldia dos erros.
E se assim for, que venham daí todas as rugas da verdade. Porque hoje, tudo o que me parece excessivo é o que guardo sentido sem o dizer. “Saudades tuas”.

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#Atévelhinhos

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Já me chamaram noiva intermitente.
E já nos rimos disso juntos.
Estamos noivos.
E ainda que deixe o anel repousar na mesa de cabeceira, tenho o coração em ti. A minha jóia boa é o que sentimos um pelo outro. É essa que quero polir todos os dias, é essa certeza que não quero atirar para as intermitências da vida.
O amor é jogo duro, também. Nem todos os dias são fáceis, nem todos os dias são ágeis. Vives com uma miúda hiperativa ao teu lado, que tem duas loirinhas turbinadas agarradas às leggins rotas da mãe. Quando chegas a casa, tenho a certeza que ao contrario de poisar, tu levitas no furacão de nós. É sempre tão divertido, quanto cansativo, tão diferente, quanto exigente. Visto de fora parece um sonho, visto de dentro consegue ter contornos de pesadelo alucinado. Tens sabido manobrar connosco esta aventura, a noiva intermitente, as loiras com déficit de atenção, as minhas insónias, os meus projectos, as minhas conversas sem fim e nós. Nunca prometi que ia ser fácil. Nunca me pediste que fosse diferente.
Estamos noivos. E um dia vamos casar.
E até lá, vamos continuar a rir de tudo juntos. Na nossa varanda virada a poente, com o nosso tinto e o nosso olhar demorado.
E a única dívida que teremos com a intermitência é a permanência de nós.
‪#‎atévelhinhos‬

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Carta à Olívia

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A Ana pediu-me que incluísse na nossa sessão de recém nascido um texto livre dedicado à filha. Escrevi sem filtros, a carta que gostaria, se o tivesse pedido, que escrevessem à minha filha.

“Querida Olívia,

Não te conheço. Mas já senti o calor da vida quando te peguei nas minhas mãos. Tudo em ti ainda é tão pequenino para um Mundo tão grande.
Há quinze dias ainda estavas no banho mais sólido do mundo, na ternura das melhores paredes da nossa primeira habitação. Também não me conheces. Mas já me deixaste que te pegasse sem medos e te aconchegasse junto ao meu corpo. Não me lembro das vezes em que me deixei que me pegassem assim, mesmo quando já tinha uns anos largos fora do corpo quente da minha mãe. Não sei se te vou ver crescer de perto.
Mas sei que te vais fazer grande e o Mundo parecerá muitas vezes pequeno para ti.
Também sei que não sou nenhuma fada na berma do berço, mas se tivesse um condão, não era apenas saúde que te desejava. Pedia que mantivesses a consciência de que somos sempre pequenos perante a imensidão do mundo, grandes perante os desafios da vida e capaz de nos entregarmos aos outros, assim como aquele colo despudorado que me permitiste quando te segurei dos braços da tua mãe.

Que a vida te dê sempre o melhor dos colos na proporção da melhor das entregas,
Desta tua amiga,

Isabel Saldanha”

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