bora lá

“És a minha praia”

Não foi à toa que me apaixonei.
Não é só por saudade que quero voltar.
Nem me interessa que o Mundo se diga tão grande, porque o que nos marca sempre, são os lugares que sabendo da nossa pequenez, nos fazem enormes.
São as terras e as pessoas que nos amplificam.
Esses devem ser os nossos lugares no mundo.
Se tivermos muita sorte: Morada.















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A MINHA ALFAMA EM ÁFRICA

Recebo quase todos os dias pedidos de informação de São Tomé, como se eu fosse uma espécie de consulado.
Não me incomoda. E dentro do meu tempo curto, tento responder ou encaminhar os pedidos.
Estive lá este ano com as minhas loiras, numa viagem para lá de inesquecível. Um somatório de coisas boas: a revisitação dos meus lugares, das minhas pessoas, a oportunidade de as fazer regressar com outra idade, a um destino que não tendo um carácter pedagógico, tem tudo para ensaboar a alma.
Hei-de regressar todos os anos, se Deus quiser. Digo sempre isto, para reforçar a vontade que tenho que se concretize. São Tomé é a minha Alfama em África. A terra agarrou-me mesmo, e sinto saudades sinceras, como se de uma forma estranha, tivesse vivido lá uma infância feliz.
Partilho aqui, com vocês algumas fotografias que tirei da segunda vez que lá fui. Fotografias que ainda não tinha partilhado e que fico a lamber no ecrã como uma goma visual:) Que sítio do caraças. Que saudade sã!

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H&M & Filhasdamãe

Gomas e H&M, estão no mesmo patamar para as minhas loiras. Por isso, imaginem a alegria que foi, quando acordaram e qual “véspera de Natal” tinham dois mega sacos com os seus nomes escritos. Sacos esses que trouxe da H&M. Aqui a mãe fica feliz porque para além de adorar, poupou 20% nestes kits deliciosos para o arranque das aulas e já não tem dores de cabeça antecipada, de as ver em histeria a desarrumar o Armário, enquanto se preparam para o debute escolar. As filhas da mãe, não são as criaturas mais vaidosas, são descontraídas, adoram andar descalças, gostam de meter os pés na lama, comer fruta dos pomares, roubar maçarocas de milho, fazer amigos como areais, trepar muros, árvores e pescoços, mas são miúdas iguais às outras. Acusam as saudades dos amigos, de uma certa rotina e querem entrar na escola como quem entra num dos maiores palcos da vida! Por isso obrigado pelo empurrão H&M! Venha daí esse arranque. Estamos kitadas para a ante estreia e já estamos a piscar o olho à positiva a matemática!
A saber: A H&M está com 20% de desconto em artigos de criança em compras iguais ou superiores a 40€ até 17 de setembro.

#filhasdamãe #HMregressoàsaulas #hm #sponsored

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O “VALOR” DOS TEMPOS LIVRES.

O que andamos a fazer para que elas não andem sempre nisto:

No ano passado estava com as crianças pelos cabelos.
Estava há dois anos sozinha, a tomar conta das duas, enquanto o pai se fazia à vida nas Áfricas. Tudo o que eu queria era um tempo, mais que merecido, para mim. A hipótese de um ATL em Lisboa, não estava sequer em equação. Queria uma coisa longe, longe, longe. Um campo de férias na montanha, para lá da montanha, onde elas se divertissem a subir eucaliptos, enquanto eu alinhava os chakras e cuidava de mim.

Encontrei esta coisa deliciosa chamada Diverlanhoso, lá para os lados da Póvoa do Lanhoso. E que reunia basicamente tudo o que eu queria: Actividades radicais na floresta, acampamento, programas de duas semanas, tudo incluido, pouco contacto com os progenitores. O valor é elevado são 279€ por semana/por criança. Mas eles dormem lá, lá longe, para lá da montanha. E adoram! Informei-me e aconselhei-me o quanto baste, para saber que já funcionam há uns anos e que são bastante bons no que fazem. O parque é absolutamente soberbo e os miúdos dormem em abrigos de madeira tipo flintstones. O senão é que é preciso levá-los lá e ir buscá-los. E se partirmos de Lisboa são umas horitas de caminho. Mas aproveitei e quando as fui levar fiquei lá a passar um fim de semana num Hotel rural muito simpático – http://www.mariadafonte.com/pt/Homepage.aspx .
Na volta fiz o mesmo. E quinzes dias depois, as loiras estavam inteiras e felizes. Tudo o que mais queriam era comer pão com marmelada ao pequeno almoço e uma caneca de leite, coisa que nunca comem em casa.
Este ano voltaram a pedir, mas o pai está de volta, o budget está mais apertado e tivemos que nos aviar pelas imediações.

Não queria coloca-las nos campos de férias da escola, porque acho que elas devem fazer uma pausa. Não tardam estão de volta, é bom que não se cansem. As primeiras semanas foram para a Junta de Freguesia da Estrela. Pelo valor de 70€ por criança têm direito a uma panóplia de actividades, que nem os progenitores mais criativos, conseguiam superar. Ainda lhes dão almoço e só regressam às 18h30, já estafadas, prontas para um banho e um sono justo. O único senão é que são 7 cães a um osso e convém ser dos primeiros a chegar ao guichet da junta. Só conseguimos duas semanas, para o ano vão dois meses seguidos, até vomitarem autocarros:)
Informem-se, todas as juntas têm campo/praia, nem todas serão fabulosas e mega dinâmicas, mas são quase todas muito acessíveis.

Acabado o tempo dos autocarros, ainda havia uma semana para preencher, antes do ATL do surf. Já tinha ouvido falar dos Inventors. E o raio do projecto, passava a vida a aparecer-me como sugestão no facebook. E ainda bem , porque fui espreitar e adorei o conceito. Uma semana no ISCTE a inventarem coisas, longe dos quilos de areia da praia, dos eczemas e daqueles cremes protectores que só saem à terceira esfrega. Uma semana a criarem coisas, a programarem, com martelos, cabos, fios e muita imaginação posta em cima de cada mesa. Um programa diferente que põe a criatividade na ordem do dia.
E de repente, saídas de uma praia fluvial, de um autocarro de junta, já queriam ser inventoras. Tudo o que se quer!
O valor é de 174€ (com almoço incluído). Também não é de graça. Mas até trazem para casa comandos de televisão. Enfim…está dentro da média dos preços praticados e é uma excelente opção.

E agora que ainda estamos a 20 de Julho, elas estão em Carcavelos numa escola de surf. Já não são radicais, nem excursionistas, nem inventoras, agora são duas surfistinhas radicais, que todos os dias me pedem para ir à Decathlon comprar uma prancha de Surf.


http://www.angelsurfschool.com/?gclid=CNDXk-GjmNUCFQUW0wod7esIWg

E por agora basta. Que contas feitas em semanas de ATL’s já lá vão 1.128 €. E as aulas só começam lá para a segunda quinzena de Setembro. Pode ser que até lá ainda consiga adotar uns avós:)

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Histórias de Vida. O meu festival.

Histórias tão verdadeiras que nem vais acreditar.

É um dos meus festivais preferidos. Estou lá batida todos os anos desde a primeira edição. É um festival de storytelling. E o que é lá se passa? Contam-se histórias de vida. Histórias verídicas, narradas na primeira pessoa, sem filtros ou condição. É no cinema São Jorge que é um sítio muito chato, porque tem aquela varanda magnifica, porque está na boca do metro, porque tem Lisboa aos pés e dá para ir ao Pinóquio comer um pica pau. E porque não há melhor alimento para a alma que uma mão cheia de histórias.
Mas há mais, sempre quis dizer isto:

Sou uma das embaixadoras do evento e tenho 3 bilhetes duplos para oferecer à melhor história verídica. Uma história curta, ilustrada por uma fotografia, como eu costumo fazer.
Têm até 4ªfeira dia 21 para me enviarem a história para o meu email:
isabel@isabelsaldanha.com

E como não há pica pau grátis têm que fazer like nestas duas páginas do evento, que até são daquelas simpáticas de acompanhar:
https://www.instagram.com/grantsportugal/
https://www.facebook.com/grantsportugal
(Print screen para comprovar e já está!)

E agora a minha história verídica, escrita hoje no calor tórrido do meu T2 com uma ventoinha nos pés:

A CONCEPÇÃO

Nunca me contaram como é que fui concebida.
Sei que não fui consequência nobre de uma lua de mel nas Maldivas, fruto do amasso na areia quente da noite, no tombo silencioso de uma pina colada. Sei o, porque o meu pai era homem casado e a condição ilegal pressupõe uma certa pressa.
Sei que a minha mãe era uma mulher ingénua e apaixonada e que a combinação mortífera das duas substâncias, dita uma entrega do caraças. Especulo assim, que terei nascido de uma combustão rápida, fruto de uma adrenalina indisciplinada, uma união não legitimada, mas uma noite das boas. Gosto disso.
Se pudesse escolher preferia ter sido um excesso de bebedeira que um sexo de consolação. E ainda que não acredite, que isso tenha alguma interferência no forjar do carácter, o universo não se vai chatear que legitime algumas das minhas arestas no prenúncio menos nobre da minha concepção.
Custar-me ia mais, saber-me gerada na complacência de um encosto desajeitado ou de um “já que aqui estás”.
Nunca tinha pensado nestas coisas, até que o atrevimento da vida me colocou sobre circunstâncias que não suspeitava viver. Até porque não suspeitava de nada.
Quando era pequenina, era apenas mais uma menina romântica.
Um plug-in que vem na pré instalação do sexo feminino, e que em mim, acusava altos níveis.
Se na altura pudesse e me deixassem, tinha coberto o mundo a trincha cor de rosa. Sonhava abrir as portas e ir para a escola montada num unicórnio brilhante, com uma saia de tule e um rastro de estrelas (que saia da cauda dourada e que ía traçando caminho, descrevendo formas florais cheios de purpurina e brilho.) Nunca pensei que os meus pais, fossem menos que um casal casado, legitimado pela sociedade ou pela igreja, casados em nobres fatos, com saiotes compridos, flor na lapela e um veu esvoaçante. E comecei à procura das molduras e dos álbuns do casamento. Como não estava a encontrar nada, e não queria confrontar os meus progenitores com a ousadia da minha curiosidade pensei como qualquer “toxico-romântica” pensa: “Eles esconderam as fotos” porque viveram com tanta intensidade o que sentiam que qualquer registo por mais belo que seja, seria pequeno para tudo o que foi”
Acho que foi nesta altura, que senti o primeiro confronto entre a estratosfera romântica e o hiper-realismo da vida. Os meus pais tinham ido jantar fora, aproveitei o momento e fui até ao quarto deles vasculhar as gavetas da cabeceira. Fui surpreendida pela minha irmã mais velha, quando já tinha mergulhado metade da cara na confusão da gaveta. Perguntou-me o que é que eu estava a fazer. Disse-lhe que estava à procura das fotografias do casamento da mãe e do pai. Ela avançou para mim. Empurrou-me para o lado, mergulhou a mão na gaveta e sacou, aquilo que mais tarde percebi ser, o B:I. da minha mãe. Abraçou-me pelo pescoço e apontou para o estado civil: Dizia SOL. Achei bonito. Tinha 8 anos não percebia. Olhei-a fixamente e ela disse-me com muita convicção: – A mãe e o pai nunca casaram. Também descobri há uns meses.
Comecei a chorar, como se naquelas frases curtas se encurtasse a minha ilusão. As nossas irmãs mais novas dormiam. A babysitter via televisão na sala e a minha irmã mais velha, achou que estava na hora de as acordar, no sentido literal e metafísico, para lhes dizer a verdade.
Antes que também elas, empreendessem a viagem ao confim das gavetas e da ilusão. E ainda que elas chorassem só do sobressalto do sono, porque eram ainda mais novas que eu, mais cheias de unicórnios e doces ilusões, e ainda que os nossos Pais nunca tivessem casado, hoje sei, que quando fui ao fundo da gaveta, não foi a ilusão que perdi, nem o fim da inocência. Nem foi nesse dia que abandonei a criança. O mais interessante naquela noite, o mais doce, foi aquele abraço esclarecido da minha irmã Margarida, aquele esclarecimento tão sublimar, quanto sublime, que a descoberta da verdade das coisas também põe a nu o melhor de nós.

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O poder de uma bolacha

Gosto que seja a espontaneidade a marcar compasso numa sessão fotográfica. Gosto de conversar e disparar ao mesmo tempo, como se a máquina fotográfica fosse um café que vou levando à boca e o cliente, um amigo de longa data com quem combinei estar. De vez em quando peço que posem por que também quero que tenham uma recordação mais tradicional do dia. Mas o que procuro é que a Inês seja ela mesma, esta deliciosa miúda de bochechas redondas que dá tudo para comer uma bolacha. E o que quero captar é este amor ternurento dos pais que reconhecem na filha uma extensão deliciosa da sua combinação de ADN. É assim que fotografo, focando mais na personalidade que na pessoa. Quero que o que seja nítido e visível tenha mais a ver com a alma capturada do que a nobre feição congelada. E assim, sem grandes truques, se faz acontecer. Respeitando tudo o que já lá está.

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Duas folhas soltas

Óbvio que não é estranho que as fotografias corram bem entre nós. Não apenas porque sou fotografa e porque a Marta também o é. E porque somos amigas, grandes amigas. E porque somos praticantes activas da Metáfora. E porque adoramos livros e gomas. São quase 20 anos que nos separam e parece que somos gémeas, embora eu às vezes sinta por ti, aquela ternura de mãe que acolhe e o olhar protector da mana mais velha. Não é a idade que nos separa, nem aqueles centímetros que tens a mais que eu. Aliás, quase tudo nos impele uma para a outra. Como se o destino fosse uma gigante força centrífuga e nós fossemos duas folhas soltas da mesmo árvore mãe. Quando dizem que estávamos destinadas, rio-me. Gosto de me sentir em controle do destino. Mas a verdade intrínseca da vida é que controlamos muito pouco. E se tu és parte desse descontrole…então um grande bem haja a essa parte descontrolada da vida, que nos eleva a maré alta dos sonhos e nos faz acreditar, num mundo cheio de barreiras, que nada é verdadeiramente impossível. Não desconfiem nunca do amor. Do amor não. Nem das folhas soltas, nem da força centrifuga que faz com que duas folhas rodopiem, como se fossem fruto de uma mesma mãe.

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DRI – Regressar às ruas

Já não sei bem quando é que nos cruzamos a primeira vez. Mas sei que fui a fotógrafa do vosso casamento, testemunha mais que ocular do vosso amor e ficámos amigas. A nosso história teve um final tão feliz como a vossa. E agora, damos por nós a arranjar boas desculpas para nos encontrarmos, como esta! E fazemos acontecer como costumo dizer/fazer! E já tinha saudades sérias destas sessões em que somos só duas, sem grandes equipas, nem grandes produções. Só com o nosso desembaraço. Com espaço para chocolate quente e conversa solta.Com a dimensão certa para continuarmos a fazer história e a escrever em imagens a história da nossa amizade.

O teu espaço. As minhas fotografias.
http://conceptbydri.blogspot.pt/2017/01/un-croquis-de-mode.html

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( mais, pelas) AMIGAS

AG19

Sempre adorei estas sessões de amigas. Lembram-me das coisas que ainda quero fazer com as minhas.
Lembram-me da urgência do tempo. Dos milhares de fins de semana combinados em noites de conversa boa. Lembro-me inevitavelmente das histórias que ficaram por acabar.
Da forma como crescemos rápido. A Maioria emparelhadas e já com filhos. E como agora tentamos encaixá-los nos nossos serões.
Devíamos dar sempre tempo a este tempo nosso. Porque a gargalhada da amizade enrijece-nos, torna-nos mais imunes, mais capazes.
Porque o tempo passará sempre. E será sempre melhor neste passar acompanhado.

AG04

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