Duas folhas soltas

Óbvio que não é estranho que as fotografias corram bem entre nós. Não apenas porque sou fotografa e porque a Marta também o é. E porque somos amigas, grandes amigas. E porque somos praticantes activas da Metáfora. E porque adoramos livros e gomas. São quase 20 anos que nos separam e parece que somos gémeas, embora eu às vezes sinta por ti, aquela ternura de mãe que acolhe e o olhar protector da mana mais velha. Não é a idade que nos separa, nem aqueles centímetros que tens a mais que eu. Aliás, quase tudo nos impele uma para a outra. Como se o destino fosse uma gigante força centrífuga e nós fossemos duas folhas soltas da mesmo árvore mãe. Quando dizem que estávamos destinadas, rio-me. Gosto de me sentir em controle do destino. Mas a verdade intrínseca da vida é que controlamos muito pouco. E se tu és parte desse descontrole…então um grande bem haja a essa parte descontrolada da vida, que nos eleva a maré alta dos sonhos e nos faz acreditar, num mundo cheio de barreiras, que nada é verdadeiramente impossível. Não desconfiem nunca do amor. Do amor não. Nem das folhas soltas, nem da força centrifuga que faz com que duas folhas rodopiem, como se fossem fruto de uma mesma mãe.

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DRI – Regressar às ruas

Já não sei bem quando é que nos cruzamos a primeira vez. Mas sei que fui a fotógrafa do vosso casamento, testemunha mais que ocular do vosso amor e ficámos amigas. A nosso história teve um final tão feliz como a vossa. E agora, damos por nós a arranjar boas desculpas para nos encontrarmos, como esta! E fazemos acontecer como costumo dizer/fazer! E já tinha saudades sérias destas sessões em que somos só duas, sem grandes equipas, nem grandes produções. Só com o nosso desembaraço. Com espaço para chocolate quente e conversa solta.Com a dimensão certa para continuarmos a fazer história e a escrever em imagens a história da nossa amizade.

O teu espaço. As minhas fotografias.
http://conceptbydri.blogspot.pt/2017/01/un-croquis-de-mode.html

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( mais, pelas) AMIGAS

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Sempre adorei estas sessões de amigas. Lembram-me das coisas que ainda quero fazer com as minhas.
Lembram-me da urgência do tempo. Dos milhares de fins de semana combinados em noites de conversa boa. Lembro-me inevitavelmente das histórias que ficaram por acabar.
Da forma como crescemos rápido. A Maioria emparelhadas e já com filhos. E como agora tentamos encaixá-los nos nossos serões.
Devíamos dar sempre tempo a este tempo nosso. Porque a gargalhada da amizade enrijece-nos, torna-nos mais imunes, mais capazes.
Porque o tempo passará sempre. E será sempre melhor neste passar acompanhado.

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MINT. Se não falar a verdade.

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Há coisas que nascem tortas e nem tarde, nem nunca, se endireitam. Outras há, que apesar de nascerem tortas, assim deverão permanecer. Porque há muita harmonia na idiossincrasia das coisas. Há muita liberdade na árvore que se curva com a idade, como se fosse uma vénia perfeita às coisas já vividas. E depois há outras mais banais, uns defeitos ajustáveis, umas irrelevâncias físicas. Mas já recupero o tema.
A Sofia era minha seguidora, quis o destino bom que nos cruzássemos à chegada de São Tomé, no Badoca Park quando matava lentamente a saudade grande das minhas loiras. A Sofia percebeu a minha “drive” e não me interrompeu. Reparamos uma na outra, estávamos na mesma carruagem, ambas a dar colo bom aos nossos filhos. No dia seguinte recebi uma mensagem da Sofia. Fui espreitar o perfil. Acho que fazemos todos o mesmo. Descobri uma mãe de prancha na mão. Um sorriso largo, dois filhos e um amor cheio de orgulho pelo marido, o Dr. Eduardo que viria a conhecer mais tarde. A sofia queria fazer uma parceria com a clinica. Fui espreitar, pareceu-me uma casa acolhedora, bem decorada. Quando os médicos são bonitos, os móveis são bonitos a malta começa a pensar quando é que a coisa fica feia:)…mas já percebi que nunca vai ficar.
Gostei do diálogo honesto, gostei da Sofia, gostei da abordagem e fui. Mal eu sabia, que duas semanas depois, ía sair de lá de aparelho, incapaz de morder uma costeleta de cabrito, limitada a enrolar o presunto em pedaços minúsculos para ultrapassar a barreira física e dar ao palato o mimo que ele merece. A proposta era honesta e simples, o Dr. Eduardo encarregar-se-ía do sorriso das filhas da mãe e aqui a cicerone, comunicaria ao seu público a experiência. Disse que sim. Não apenas porque “cavalo dado não se olha a dente” (esta expressão encaixa tão bem aqui) mas porque gostei genuinamente da Sofia e do Eduardo.
Se me perguntam se precisava de aparelho, sim, precisei quando tinha 12 anos e a minha mãe não tinha dinheiro para me dar um. Se estava descontente com o meu sorriso: Nem por isso;) habituei-me à cena torta como se fosse uma coisa já direita. Mas nós sabemos que estas intervenções são caras e que queremos entregar o nosso sorriso nas melhores mãos. Pus agora o aparelho superior e daqui uma semanas vou colocar o inferior. Não é confortável nestes primeiros dias, mas se formos a ver, quase nenhuma mudança é. O que é que eu me comprometo? A cumprir com a rotina de ir lá apertar o aparelho e a ser totalmente honesta, como sempre fui, a contar-vos esta experiência. Por agora o mais que posso dizer é que me sinto em casa quando vou à clínica. E não consigo mentir com todos os dentes que tenho porque sinto a boca muito bem apertada:)

Para quem quiser ir conhecer o Eduardo e a Sofia, seres humanos altamente recomendáveis e profissionais de mão cheia. Mais “chatos” que a minha mãe porque me ligam todos os dias a saber como vai a adaptação. E mimo não tem preço

CLINICA MINT
Dr. Eduardo Bastos
http://mint.pt/clinica-dentaria/
https://www.facebook.com/clinicadentariamint
Contacto:
Avenida Marquês de Tomar 5 | Lisboa
21 155 23 08

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Só nosso. Só vosso.

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Tenho andado de namoro com a vida. Sem tempo para partilhar convosco as sessões que vou fazendo, as pessoas que também vou conhecendo.
É engraçado que há medida que vou entrando com força no que faço, percebo cada vez mais o sentido de tudo isto. É um privilégio poder registrar estes momentos, estes que darão suporte a tantos outros momentos. A memória às vezes foge-nos, prega-nos partidas. Mas aqui neste momento fica eternizado a plenitude de uma sensação. E há em todos estes cliques uma verdade tão grande, que se não fosse isto que faço, era isto que quereria fazer. Parabéns Vanessa e Daniel a vossa história é uma história cheia. A vossa vida enriquece a cada segundo e foi um prazer enorme estar presente nesse pequeno registo de eternidade.

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GANGA NISSO

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Sabia nesse preciso momento em que estávamos a fotografar, o “buzz” que seria, o apontamento de lingerie e um pedaço de corpo descoberto.
Sobretudo o teu:)
Não sou tua advogada, sou tua amiga, mas hoje, nem como amiga falo, escrevo apenas como mulher. Porque assisto a isto, vezes sem conta, de forma tão subliminar e tão escancarada.
O pudor é da contabilidade de cada um, tal como a propriedade do corpo. Faço milhares de sessões por ano, muitas delas “boudoir” (sessões de lingerie em estúdio) que não divulgo aqui, porque não é aqui a esfera onde vivem, é na recordação de auto estima que algumas clientes minhas, resolvem oferecer a elas mesmas, às vezes fruto de paixão a outro, outros fruto de um gigante amor próprio. Gosto desses momentos, quando nos vejo a vencer o medo, quando o “que se lixe” fala mais alto “do que é que os outros vão pensar de mim”.
Não há rebeldia nenhuma no exercício do amor próprio, há uma imensa serenidade que nos pacifica com a mente, com o corpo e com o momento.
E fico feliz à séria, quando é através da minha lente que deixo registado esse encontro, tão livre de espartilhos, que vai ganhando cada vez mais terreno no coração das mulheres.

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“Não papo grupos”

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É hora de matar as saudades das minhas loiras.
Foram três semanas a fazer e a desfazer malas. Isto, quando ainda mal assentei arraiais em nova morada e mal me apaziguei de todo o “agito” que se vive dentro deste coração. Dizem acertadamente que o Segredo para enfrentar a Saudade não está em fugir, mas ajuda muitíssimo não parar de viver.
E se é para falar de Saudades, que fale então da falta que me vai fazer o Grupo que embarcou na viagem comigo a São Tomé. E não pense, quem não foi, que era um bando de fãs acérrimas dispostas a elevar-me o ego pelo preço avultado de uma viagem, nada disso. Era gente do melhor que há. Pessoas que convidaria para beber uma boa reserva comigo, sem as reservas das conversas mais formais. Sei que todos vocês estavam com medo do grupo, era um gigante “blind date”. A única viajante conhecida era eu, e mesmo assim, havia sempre a probabilidade da filha da mãe não corresponder à mãe das filhas. Embarquei sem medos, como se embarca numa viagem de amigos, aquelas raras que a malta lamenta sempre não ter feito mais. Vivemos tudo, acima das possibilidades, criamos oportunidades, atalhos e caminhos. Brindámos, rimos, dançamos como se não houvesse amanhã, partilhamos histórias, fotografias e vivências. Os dias eram tão cheios que todos partilhávamos da opinião, que no Equador, um dia ultrapassa as 24 horas. Fiquei com um carinho especial por cada um de vocês, eram os meus “meninos” dizia eu, como se de repente fosse a mãe pata de uma ninhada sem fim:)) E eu tenho tão pouco samba para isso.
Cada um de vocês, à vossa maneira, há de ser personagem num livro meu. No meu Instagram foi colocando as fotos possíveis dos sítios por onde passávamos, mas a verdadeira história da viagem não tem legenda, nem fotografia. São aqueles episódios que se inscrevem na memória fina dos dias e que ditam os cliques futuros de tudo o que ainda está para vir. Claro que vamos estar juntos num futuro próximo, claro que vamos querer recalcar as memórias e as histórias regadas a mojitos e caipirinhas. E é claro que ficámos amigos porque África, e talvez São Tomé em particular, tem esta qualidade boa, de fazer suar tudo o que é tóxico no corpo e deixá-lo permeável às melhores experiências. Obrigada grupeta boa. Foi tão bom, como se fosse tudo uma primeira vez. Venha daí uma segunda!

*Obrigada à toda a equipa do Omali e da HBD pela estadia, recepção, profissionalismo e simpatia. Com um carinho muito especial pelo chefe Tiago Velez @mariachicook, que tratou do nosso palato como ninguém, chegámos a Portugal com as curvas perfeitas!

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MERCADO não é mercadoria

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Também é nos mercados que se conhece as pessoas. Mas não é fácil visitar o mercado em São Tomé. É fácil ir, mas pouco dá para conviver com as pessoas quando se chega em grandes grupos, com máquinas em punho e este “ar branquela”. As pessoas sentem-se alvo de voyeurismo turístico, expostas em postais futuros no nosso País Natal. Enquanto passamos nos corredores apertados, entre frutas e galinhas, ouvem-se as vozes iradas das mulheres a dizer: – Siga! Siga. Como se fôssemos baratas para sacudir com os pés. Já cá tinha vindo mas vim com um amigo são tomense e até peixe comprei para puder conversar e registar o momento. Percebo, compreendo e aceito. Também eu e as minhas filhas, fomos fotografadas em Alfama por turistas (quando lá vivíamos) como se fossemos parte de um postal local. O turista tem que entrar com humildade, perceber que os mercados são os polos do negócio local, não são enfeite para o nosso deleite. E os comerciantes irão percebendo que muitos dos visitantes querem apenas registrar a diferença e o exotismo dos produtos locais. São construções demoradas que ajudaria se fossem melhor suportadas por um bom apoio ao turismo. Mas isso são ambições de quem gosta. Espero ajudar à minha maneira e com a minha dimensão. Irei sempre a um bom mercado local.

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O pavio dos sonhos

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Sei que o mundo é enorme e que há um milhão de lugares por descobrir. Também sei que a vida é curta para todas as milhas que pomos nos sonhos. Também sei que sempre que a vida me dá uma oportunidade de me pôr a milhas, vou. Mas sei que não vou poder ir a todos os lugares onde já sonhei ir. Já houve uma altura na vida, em que este pensamento repetido era todo angústia. Hoje em dia já saboreio cada lugar sem a sombra do próximo destino, da mesma forma que aprendi a entregar-me às pessoas que gosto, sem ambicionar outros colos. Ainda sei pouco, mas já aprendi que o pavio da vida tem comprimento que chegue para soprar muitas velas. E que repetir um destino é como beijar uma segunda vez um primeiro amor. Por isso, repito, releio, relanço e rebolo no destino repetido, como se ele fosse um sonho embrulhado de novo, que a vida me deu para rasgar outra vez.

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Regressar vezes sem conta…

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Há uma semana atrás estava em Espanha a celebrar os meus anos, hoje estou em São Tomé com um grupo fabuloso a desbravar uma ilha onde me sinto em casa. Não conheço todos os cantos à casa, mas de alguma forma sinto que a casa me conhece. Regresso aos lugares que conheci, desbravo outros que ainda não conhecia, respiro esta doce humidade, junto com a largura incomensurável destes sorrisos. Tive tanta sorte com o grupo, como tenho com quase toda a gente que me calha, esperando que sintam o mesmo comigo. Somos oito, conjugamos as nossas diferenças como se fossemos partes dissonantes, que se equilibram de forma perfeita no mesmo conjunto. Dá me um gozo redobrado, conduzir sem guiar, levar sem carregar. Também eu, me sinto a ser transportado por esse entusiasmo virgem de quem olha para tudo com o encanto da primeira vez. Estou a adorar e sempre soube, que regressaria vezes sem conta…com o encanto da primeira vez. Obrigada Marta, Mónica B, Mónica M, Joana, Sofia, Renato e Duarte.

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