O “VALOR” DOS TEMPOS LIVRES.

O que andamos a fazer para que elas não andem sempre nisto:

No ano passado estava com as crianças pelos cabelos.
Estava há dois anos sozinha, a tomar conta das duas, enquanto o pai se fazia à vida nas Áfricas. Tudo o que eu queria era um tempo, mais que merecido, para mim. A hipótese de um ATL em Lisboa, não estava sequer em equação. Queria uma coisa longe, longe, longe. Um campo de férias na montanha, para lá da montanha, onde elas se divertissem a subir eucaliptos, enquanto eu alinhava os chakras e cuidava de mim.

Encontrei esta coisa deliciosa chamada Diverlanhoso, lá para os lados da Póvoa do Lanhoso. E que reunia basicamente tudo o que eu queria: Actividades radicais na floresta, acampamento, programas de duas semanas, tudo incluido, pouco contacto com os progenitores. O valor é elevado são 279€ por semana/por criança. Mas eles dormem lá, lá longe, para lá da montanha. E adoram! Informei-me e aconselhei-me o quanto baste, para saber que já funcionam há uns anos e que são bastante bons no que fazem. O parque é absolutamente soberbo e os miúdos dormem em abrigos de madeira tipo flintstones. O senão é que é preciso levá-los lá e ir buscá-los. E se partirmos de Lisboa são umas horitas de caminho. Mas aproveitei e quando as fui levar fiquei lá a passar um fim de semana num Hotel rural muito simpático – http://www.mariadafonte.com/pt/Homepage.aspx .
Na volta fiz o mesmo. E quinzes dias depois, as loiras estavam inteiras e felizes. Tudo o que mais queriam era comer pão com marmelada ao pequeno almoço e uma caneca de leite, coisa que nunca comem em casa.
Este ano voltaram a pedir, mas o pai está de volta, o budget está mais apertado e tivemos que nos aviar pelas imediações.

Não queria coloca-las nos campos de férias da escola, porque acho que elas devem fazer uma pausa. Não tardam estão de volta, é bom que não se cansem. As primeiras semanas foram para a Junta de Freguesia da Estrela. Pelo valor de 70€ por criança têm direito a uma panóplia de actividades, que nem os progenitores mais criativos, conseguiam superar. Ainda lhes dão almoço e só regressam às 18h30, já estafadas, prontas para um banho e um sono justo. O único senão é que são 7 cães a um osso e convém ser dos primeiros a chegar ao guichet da junta. Só conseguimos duas semanas, para o ano vão dois meses seguidos, até vomitarem autocarros:)
Informem-se, todas as juntas têm campo/praia, nem todas serão fabulosas e mega dinâmicas, mas são quase todas muito acessíveis.

Acabado o tempo dos autocarros, ainda havia uma semana para preencher, antes do ATL do surf. Já tinha ouvido falar dos Inventors. E o raio do projecto, passava a vida a aparecer-me como sugestão no facebook. E ainda bem , porque fui espreitar e adorei o conceito. Uma semana no ISCTE a inventarem coisas, longe dos quilos de areia da praia, dos eczemas e daqueles cremes protectores que só saem à terceira esfrega. Uma semana a criarem coisas, a programarem, com martelos, cabos, fios e muita imaginação posta em cima de cada mesa. Um programa diferente que põe a criatividade na ordem do dia.
E de repente, saídas de uma praia fluvial, de um autocarro de junta, já queriam ser inventoras. Tudo o que se quer!
O valor é de 174€ (com almoço incluído). Também não é de graça. Mas até trazem para casa comandos de televisão. Enfim…está dentro da média dos preços praticados e é uma excelente opção.

E agora que ainda estamos a 20 de Julho, elas estão em Carcavelos numa escola de surf. Já não são radicais, nem excursionistas, nem inventoras, agora são duas surfistinhas radicais, que todos os dias me pedem para ir à Decathlon comprar uma prancha de Surf.


http://www.angelsurfschool.com/?gclid=CNDXk-GjmNUCFQUW0wod7esIWg

E por agora basta. Que contas feitas em semanas de ATL’s já lá vão 1.128 €. E as aulas só começam lá para a segunda quinzena de Setembro. Pode ser que até lá ainda consiga adotar uns avós:)

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A Família da Rita

Mesmo para mim que danço e durmo com palavras na cabeça é difícil explicar porque é que adoro estas sessões de família.
Sobretudo as minhas, não as sessões, mas as famílias que me procuram. Dizem que tenho sorte, talvez tenha. Se isso significar uma mão cheia de amigos que conheci enquanto fazia o que gosto. Rita, tens uma família linda, nada que tu já não soubesses. Obrigada por me teres escolhido para vos fotografar.

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Família Saldanha (mas não é a minha)

Estas tragédias que vivemos nos últimos dias reforçam-me sempre a importância da unidade da família.
E quando faço estas sessões penso invariavelmente na minha. Protejam sempre os vossos, na medida do Impossível, dos problemas predadores, do desmazelo das rotinas, das pressas dos dias, da tentação das paixões rasteiras. Fechem-se as vezes que precisarem de se fechar sobre vocês mesmos, porque não há bolha com maior capacidade de oxigénio que a dos nossos. E mesmo quando parece sufocante é como um abraço apertado num dia de calor. Não deixa de ser um abraço. Sou pouco de lamentar mas se tivesse a maturidade que tenho hoje tinha dado o meu peito a todas as balas. Tenho a sorte de ser testemunha nestes momentos que se repetem com famílias que vou acompanhando ano após ano. A ver crianças pequenas a ficar adolescentes e os pais a envelhecerem de mãos dadas. Não trocava o que faço por nada. E fecho-me com tranquilidade no triângulo delicioso da minha família.

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Histórias de Vida. O meu festival.

Histórias tão verdadeiras que nem vais acreditar.

É um dos meus festivais preferidos. Estou lá batida todos os anos desde a primeira edição. É um festival de storytelling. E o que é lá se passa? Contam-se histórias de vida. Histórias verídicas, narradas na primeira pessoa, sem filtros ou condição. É no cinema São Jorge que é um sítio muito chato, porque tem aquela varanda magnifica, porque está na boca do metro, porque tem Lisboa aos pés e dá para ir ao Pinóquio comer um pica pau. E porque não há melhor alimento para a alma que uma mão cheia de histórias.
Mas há mais, sempre quis dizer isto:

Sou uma das embaixadoras do evento e tenho 3 bilhetes duplos para oferecer à melhor história verídica. Uma história curta, ilustrada por uma fotografia, como eu costumo fazer.
Têm até 4ªfeira dia 21 para me enviarem a história para o meu email:
isabel@isabelsaldanha.com

E como não há pica pau grátis têm que fazer like nestas duas páginas do evento, que até são daquelas simpáticas de acompanhar:
https://www.instagram.com/grantsportugal/
https://www.facebook.com/grantsportugal
(Print screen para comprovar e já está!)

E agora a minha história verídica, escrita hoje no calor tórrido do meu T2 com uma ventoinha nos pés:

A CONCEPÇÃO

Nunca me contaram como é que fui concebida.
Sei que não fui consequência nobre de uma lua de mel nas Maldivas, fruto do amasso na areia quente da noite, no tombo silencioso de uma pina colada. Sei o, porque o meu pai era homem casado e a condição ilegal pressupõe uma certa pressa.
Sei que a minha mãe era uma mulher ingénua e apaixonada e que a combinação mortífera das duas substâncias, dita uma entrega do caraças. Especulo assim, que terei nascido de uma combustão rápida, fruto de uma adrenalina indisciplinada, uma união não legitimada, mas uma noite das boas. Gosto disso.
Se pudesse escolher preferia ter sido um excesso de bebedeira que um sexo de consolação. E ainda que não acredite, que isso tenha alguma interferência no forjar do carácter, o universo não se vai chatear que legitime algumas das minhas arestas no prenúncio menos nobre da minha concepção.
Custar-me ia mais, saber-me gerada na complacência de um encosto desajeitado ou de um “já que aqui estás”.
Nunca tinha pensado nestas coisas, até que o atrevimento da vida me colocou sobre circunstâncias que não suspeitava viver. Até porque não suspeitava de nada.
Quando era pequenina, era apenas mais uma menina romântica.
Um plug-in que vem na pré instalação do sexo feminino, e que em mim, acusava altos níveis.
Se na altura pudesse e me deixassem, tinha coberto o mundo a trincha cor de rosa. Sonhava abrir as portas e ir para a escola montada num unicórnio brilhante, com uma saia de tule e um rastro de estrelas (que saia da cauda dourada e que ía traçando caminho, descrevendo formas florais cheios de purpurina e brilho.) Nunca pensei que os meus pais, fossem menos que um casal casado, legitimado pela sociedade ou pela igreja, casados em nobres fatos, com saiotes compridos, flor na lapela e um veu esvoaçante. E comecei à procura das molduras e dos álbuns do casamento. Como não estava a encontrar nada, e não queria confrontar os meus progenitores com a ousadia da minha curiosidade pensei como qualquer “toxico-romântica” pensa: “Eles esconderam as fotos” porque viveram com tanta intensidade o que sentiam que qualquer registo por mais belo que seja, seria pequeno para tudo o que foi”
Acho que foi nesta altura, que senti o primeiro confronto entre a estratosfera romântica e o hiper-realismo da vida. Os meus pais tinham ido jantar fora, aproveitei o momento e fui até ao quarto deles vasculhar as gavetas da cabeceira. Fui surpreendida pela minha irmã mais velha, quando já tinha mergulhado metade da cara na confusão da gaveta. Perguntou-me o que é que eu estava a fazer. Disse-lhe que estava à procura das fotografias do casamento da mãe e do pai. Ela avançou para mim. Empurrou-me para o lado, mergulhou a mão na gaveta e sacou, aquilo que mais tarde percebi ser, o B:I. da minha mãe. Abraçou-me pelo pescoço e apontou para o estado civil: Dizia SOL. Achei bonito. Tinha 8 anos não percebia. Olhei-a fixamente e ela disse-me com muita convicção: – A mãe e o pai nunca casaram. Também descobri há uns meses.
Comecei a chorar, como se naquelas frases curtas se encurtasse a minha ilusão. As nossas irmãs mais novas dormiam. A babysitter via televisão na sala e a minha irmã mais velha, achou que estava na hora de as acordar, no sentido literal e metafísico, para lhes dizer a verdade.
Antes que também elas, empreendessem a viagem ao confim das gavetas e da ilusão. E ainda que elas chorassem só do sobressalto do sono, porque eram ainda mais novas que eu, mais cheias de unicórnios e doces ilusões, e ainda que os nossos Pais nunca tivessem casado, hoje sei, que quando fui ao fundo da gaveta, não foi a ilusão que perdi, nem o fim da inocência. Nem foi nesse dia que abandonei a criança. O mais interessante naquela noite, o mais doce, foi aquele abraço esclarecido da minha irmã Margarida, aquele esclarecimento tão sublimar, quanto sublime, que a descoberta da verdade das coisas também põe a nu o melhor de nós.

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A amizade boa nunca envelhece

É do baú. É dos santos. Tem anos. Não se contam. É amizade boa. Não envelhece. Permanece e prevalece, como aqueles amores intocáveis, como uma partitura mil vezes tocada. A boa amizade é assim, só tem de regra o permanecer. Não há incómodo no silêncio, não há vergonha em lágrima. É um vale tudo verdadeiro, derradeiro e puro. Não é canto escuro, mesmo no lado obscuro de quem não esconde nada. A amizade não procura paridade, igualdade ou semelhança, é só afecto puro, sentimento duro, verdade sem agonia ou vaidade. Não interessa idade, não tem que ser antiga, é apenas como uma cantiga, daquelas que não sai. Amizade também é espontânea, não é só a paixão que é momentânea. Nem sempre tem enredo, nem esconde segredo. Amizade é tão simples quanto completa, quase complexa, porque é densa, mas não adensa o que não condensa e nos dá paz. Amizade boa nunca envelhece, como o amor vivo, permanece. E acontece. Basta querer. Amar sem saber e deixar acontecer.

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PORTUGAL SEM TRIPÉ

PORTUGAL SEM TRIPÉ

Já é público e oficial. E é com imenso orgulho, daquele grande, grande, que anuncio que fui convidada, juntamente com um fotógrafo que adoro, o Luis Mileu – https://www.instagram.com/mileu/, para ser júri de um concurso promovido pela HUAWEI e pelo Turismo de Portugal.

O desafio é simples: Tirar uma fotografia que ilustre o que de melhor têm as regiões e os recantos do nosso Portugal. Não precisa de ser um postal, não precisa de ser um detalhe, é o que quiser, desde que faça jus à beleza imensa do nosso País. As fotografias podem ser tiradas com o dispositivo que quiser (máquina ou telemóvel). Depois, só tem que partilhar no instagram com o hastag #portugalsemtripe e fazer upload no site www.portugalsemtripe.

São sete as regiões, queremos ver Portugal inteiro a participar em grande. No final, serão eleitas as sete melhores fotografias, assim como as maravilhas do mundo.

E o que é que a malta ganha? Perguntam vocês.

Para além de um Boot Camp com workshops de Phonephotography meus  e do Luis Mileu, ainda leva na mão um Huawei P10 com uma mega câmara Leica, que o vai deixar a pensar, porque é que passou a vida carregado com uma máquina.

Hoje foi o lançamento oficial. E já andei a tirar fotos com o meu P10.

Aqui vai um cheirinho do dia. Mas não se percam muito por aqui e vão apanhar Portugal aí fora. E não se esqueçam do hashtag: #portugalsemtripe.

http://www.portugalsemtripe.pt/

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O poder de uma bolacha

Gosto que seja a espontaneidade a marcar compasso numa sessão fotográfica. Gosto de conversar e disparar ao mesmo tempo, como se a máquina fotográfica fosse um café que vou levando à boca e o cliente, um amigo de longa data com quem combinei estar. De vez em quando peço que posem por que também quero que tenham uma recordação mais tradicional do dia. Mas o que procuro é que a Inês seja ela mesma, esta deliciosa miúda de bochechas redondas que dá tudo para comer uma bolacha. E o que quero captar é este amor ternurento dos pais que reconhecem na filha uma extensão deliciosa da sua combinação de ADN. É assim que fotografo, focando mais na personalidade que na pessoa. Quero que o que seja nítido e visível tenha mais a ver com a alma capturada do que a nobre feição congelada. E assim, sem grandes truques, se faz acontecer. Respeitando tudo o que já lá está.

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Já lá vão 4 anos

Que o tempo passa, passa. Que passe é bem!
Há 4 anos atrás no convento de Mafra conheci a Cristina. Tinha o mesmo sorriso que tem hoje e a mesma energia contagiante, que lhe reconhecem. É alta, pensei. Mas o que mais me impressionou foi o tamanho do seu sorriso, tão grande como a sua simplicidade, mesmo do alto dos seus louboutins. Não estava nervosa porque pouco conhecia da Cristina, e nessa altura, não fazia ideia que o shooting fazia parte de um projecto maior chamado Daily Cristina. Foi lá que conheci a minha amiga Inês (lembro-me tão bem da honestidade da nossa primeira conversa), o Tiago Froufe e a Inês Franco. Éramos iguais mas mais pequeninos. É inegável que tu empurras para à frente as pessoas que acreditas, e que acreditas mais num bom coração que num exímio profissional. Esse é talvez um dos teus maiores talentos, o de saberes escolher os teus. Mas não há casamento a solo. E a equipa fermentou e cresceu em conjunto. Foram muitos shootings de improviso, muitas megas produções, foi muita gargalhada, muita conversa boa e muito trabalho. Nunca me lembro que nos tenhamos zangado, mesmo quando “quase” nos obrigas a madrugar para correr ou para não ficar sozinha a tomar o pequeno almoço. Acho que vamos ser sempre uma equipa, como uma daquelas irmandades que não se desfaz. E o mais engraçado é que somos todos tão diferentes, de sonhos e lugares opostos, mas tudo gente de alma boa. Que se juntou voando, para te fazer voar.

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Moedinha número 1

Refiro-me muitas vezes à Caetana chamando-a da minha “moedinha número 1”. Como não é do tempo dela tive que lhe explicar que o Tio Patinhas, tio do famoso pato Donald e homem de abastada fortuna, tinha uma moeda número 1. Tinha várias, uma piscina delas, onde mergulhava sem se magoar. Mas tinha a sua moeda número 1, protegida numa redoma.
Aquela com que a sua fortuna começara. A Mariana é a tua primeira filha. E minha afilhada. E vai ter uma mana. Como a Caetana tem a Camila. (Enfim, espero que uma versão de irmã mais apaziguada). Combinamos esta sessão como quem combina um café à pressa. A Luz já era fraca, saquei da máquina, de um ISO elevado e disparei. Entre a conversa solta fui tirando estas fotografias. Ainda não as viste, eu sei. Está aqui uma amostra, um mimo desta madrinha “maluca” como dizes à tua moedinha número 1. Por estes dias vais ter a segunda moedinha e tudo o que conheces vai mudar outra vez. Não faz mal. Vai parecer complicado ao princípio mas depois fica melhor. Ter uma casa cheia com aqueles que gostamos é de longe a melhor decoração. Como provavelmente vais ter pouco tempo daqui para a frente, antecipo-me e levo já umas três destas fotos emolduradas, quando for conhecer a nova cria. Ainda não sei se já decidiram o nome, mas eu já decidi que vou gostar tanto dela como da minha Mariana.

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