Até velhinhos

Ate velhinhos | Isabel Saldanha

Eu não sei a medida exacta do tempo, nem da verdade.
Pouco sei do que dizem saber e aquilo que a idade me ensina é que só o que sinto está certo.
Nada quis na vida que perdurasse muito, com medo de me demorar no que não queria mesmo.
Já quis tanto por tão pouco.
Já me dei sem lucro de coisa alguma.
Já vivi dos proveito dos sonhos e fantasias, quando tudo o que a tua mão me decifrava era o espaço de uma boleia.
Já apertei com força o desejo, só para ensaiar a vontade de ficar, onde o coração já não fazia morada.
Agora acho que cresci, como na altura me sentia crescer.
“Agora é que é”, dizia, sabendo que o sufoco de não ser era um sinal que talvez fosse.
E quando o Agora não foi e a dor transformou as borboletas que voavam no meu interior em traças de roupa velha, eu acho que cresci.
O que é que eu sabia disso?
O que é que eu já sei?
Se cada experiência é um desvario e um coração não toca igual. Continuo a não saber a medida exacta do tempo, nem tenho a certeza absoluta se o que já cresci, chega para te segurar a mão.
Sei que desta vez não queria ir à boleia de um até já.
Que me custa imaginar um Adeus e que o futuro é um campo por lavrar onde tento plantar fundo os meus dias.
Também sei que elogio com frequência a beleza das tuas mãos mas o que eu queria mesmo dizer é que nunca largasses as minhas.

Comments

comments