As minhas loiras piolhosas e os meus livros

Gosto da imagem baliza, porque imagino logo os sonhos a serem atirados com a força de um pontapé. E adoro estas fotografias que tirei em São Tomé porque adoro retratar da vida e tenho saudades dessa dimensão no meu trabalho fotográfico e prometi a mim mesma que este ano vou trabalhar esta vertente.
Espero que tenham escrito as vossas resoluções para 2018, e espero sinceramente, que tenham acordado no dia 1 com a ressaca de um bom vinho e aquela angústia da folha em branco, porque antes de um grande passo há sempre um enorme cagaço. Sem esse nervo apertado, não há combustível que chegue para acelerar um sonho. Não acredito em mudanças que não fazem suar a alma. Eu já escrevi os meus. Foram modestos, não sonhei muito grande, porque me quero fazer em parcelas pequeninas e há sonhos que ando a preguiçar dentro de mim. Podia perder-me me metáforas só a olhar para estas imagens. E se quisesse ser ainda mais inteligente, não apenas romântica e poética, reparava que há na ausência de conforto uma Liberdade imensa. Tão intensa, que até fere, porque em nada confere a esfera que nos habita. Não se pode ir buscar o pé descalço numa quinzena bem passada no golfo da Guiné e aterrar na Europa cheios de tiques de um pequeno burguês. Tenho um inquilino hippie dentro de mim. Nascesse eu outra vez (que é frase que não gosto) e estava bem acampada numa auto-caravana, rodeada das minhas loiras piolhosas e dos meus livros. Haveria de escrever uma história por cada sítio que passasse, de cada gente boa que conhecesse, de cada fogueira montada, de cada estrela cadente, sem a decadente cadência da rotina apertada. Viveria apenas de histórias e para histórias. Esse é um pontapé que vou dar com força na minha baliza. Nem que sejam preciso mais 6 pés, nem que seja necessário formar um gang e nem que o tenha que chamar pé preto. E nunca irei ser apenas a inquilina de um sonho, hei de ser a hippie desconsertada que o governa e guia.

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