ALL I WANT FOR CHRISTMAS…

Não querendo ser nem populista, nem popular, nem viver nas antípodas da sociedade ocidental, nem estragar a consciência aqueles que repetem para si mesmos que este Natal vai ser diferente, mas que não aguentam ter um árvore vazia, nem a azia das crianças a olhar para a árvore, o Natal é um excesso. Podemos amaciar a consciência como quisermos, podemos até, espantem-se, decidir não pensar nisso, mas se pensarmos em consciência, devemos agir como tal.
Não sou taliban, consumo, compro acima do que devia, dou alguns presentes às minhas filhas fora de época, e não é apenas para agraciar um comportamento bom,ou uma nota elevada, às vezes até é para diluir um mau. Faço muitas vezes o contrário do que acredito, mesmo tendo uma pauta de valores absolutos na minha consciência de mãe. Dá trabalho levar uma vida de acordo com o que se acredita. É uma maré lixada de se remar contra. As nossas crianças têm de mais. Damos demais.
Numa sociedade que alimentamos de forma descontrolada, somos inevitavelmente empurrados para as coisas, as milhares de coisas sem as quais o homem moderno não é verdadeiramente feliz. E depois levamos com os estímulos bipolares das redes, as frases feitas, a filosofia pinterest e toda aquela metafísica de algibeira que manda praticar o desapego. E nós ficamos mais divididos que uma batata assada com um murro bem dado. Pois bem, eu não sou melhor, mas tento.
Ajuda que não seja a rainha da última novidade, dá uma mão grande, o facto de abominar centros comerciais e ajuda-me mais ainda, o facto de ter uma sensação claustrofóbica em grandes aglomerados populacionais. O que eu gosto mesmo é de pessoas de alma cheia, viagens, livros, música e comida, sendo que dentro da comida tenho uma clara preferência por queijos, enchidos e vinhos. Mas antes de me sentar ao colo do pai natal, quero partilhar com vocês o que vou dar às minhas filhas este natal. Duas singelas embalagens para desembrulhar, uma para cada uma, e uma em comum: Uma viagem para as três. As duas embalagens individuais são objectos de decoração para construirem para o seu quarto e inclui tubos de cola, as fitas, os acrílicos e tudo o que é necessário para se entreterem, enquanto contribuem para melhorar o aspecto da casa onde moram. Nunca mais darei presentes que potenciem apenas o bem e o gozo individual (à excepção dos livros), e mesmo esses, são passíveis de partilhar. Acabou-se o amontoado de plástico e purpurinas que reinam por micro segundos até que venha uma embalagem maior.
O que receberão dos restantes familiares é com eles, não imponho a minha filosofia a ninguém.
Mas de mim levarão embrulhados os valores em que acredito.

*Fotografias tiradas na viagem deste ano a São Tomé

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