A mãe não me disse Adeus...

IMG_4236 Já tinha dito aqui que estou na minha quinzena sem loiras.
E como tenho uma consciência ainda pouco apaziguada no que concerne a divisão do tempo, embora não precise de dicas de como o aproveitar, sofro um bocadinho.
Para amenizar a distância fui visitá-las este sábado e acabei por regressar apenas na segunda-feira de comboio. Elas estavam numa quinta da família paterna, cheia de crianças da mesma idade e como eu não apareci propriamente numa bicicleta de rodinhas, nem com sacos de gomas nas mãos, fui olimpicamente ignorada, tendo apenas por direito adquirido, o colo do cansaço quando os braços do pai estavam ocupados numa tarefa qualquer.
Mas isso nós já sabemos como é. E nem é assim tão importante. A nossa presença dá-lhes segurança e pouco me importa, se me cabe apenas o papel de securitas do sono ou cozinheira da cerelac. Fui até lá e por lá estive. Estiquei o tempo até o termo máximo da irresponsabilidade e quando já eram horas de apanhar o “pouca-terra” e as crianças brincavam algures entre o tanque dos girinos e a tosquia das ovelhas, fui. Quando estava no comboio recebo uma chamada de um dos amigos que lá estava e que me passa o telefone a uma loira soluçante. Ao que parece saí sem me despedir, apagando toda a presença passiva dos dois dias no lapso imperdoável do Adeus: – A mãe não se despediu de mim! A mãe não me disse Adeus…
Não podia responder que o meu Olá tinha tido o mesmo tratamento, que perdoei por situar na amnésia da brincadeira, no “não te corto o barato”. No mundo dos crescidos não há perdão por brincadeira e fiquei sem saber se devia sofrer ou ficar contente, por perceber o quanto me leva a sério.
A partir de agora distribuirei com igualdade a mesma generosidade no Olá e o mesmo empenho no Adeus.
E se por lapso me distrair, terei o nobre cuidado de deixar um saco de gomas cheio, a relembrar a tentativa de empenho e a acusar o açúcar do meu destempero…

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